Postagens

a água que corre pro mar,
o rio
a água que cai, a chuva,
a que resta, a poça,
a que não se contém,
a lágrima,
a que fica, o poço
(o nome das águas)
me afasto
me afasto e
não me distancio
Pálido sereno,
rubro alento,
células
em agonia.
Na distância
consentida,
palavras
desaparecem
ao amanhecer,
ventania.
Minha alma
em trânsito,
de passagem.
Gosto especialmente de uma frase de um alpinista britânico que tentou algumas vezes chegar no topo do Everest. Um jornalista perguntou em uma conferência por que ele queria escalar a montanha. A resposta foi brevíssima: porque ela está lá! Demais, né? Ninguém sabe se conseguiu, ele morreu em uma avalanche em 1922, se alcançou ou não o topo do Everest ainda é um mistério. Pra mim, se ele chegou ou não, tanto faz, ele já estava lá no topo em cada escalada, antes mesmo da subida. Acredito mesmo que o sonho já se realiza, de alguma forma, em cada tentativa. Nunca escalei uma montanha, o máximo que fiz foi rapel, tenho verdadeira fascinação por livros e filmes de escalada, gelo, neve, aquela brancura sem fim... Mas tenho minhas montanhas imaginárias pra escalar, vou sem apetrechos, de mãos vazias. Afinal, a vida é esse sobe e desce maluco sem fim que não permite muitos equipamentos pra facilitar. Estou saindo do segundo acampamento, a caminho do terceiro de mais uma nova montanha. Não sei …
Ei, vida!  Ei lá, vidinha! 
Olha a estrada!
 Às vezes é preciso incitar a dita cujo num aboio vagaroso e conduzir caminho...