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Respiro úmida névoa
de sal e memórias,
o tempo brinca de voltar,
maresia.
Venta, leva velas,
dissipa quereres,
desorienta aves, semeia.
Forte, gélido, ar revolto,
arrepia a pele,
inquieta os sentidos,
depois calmaria,
nada mais.
Um passo, depois outro,
vou por distâncias,
tentando encontrar meu lugar.
a vida engana,
trapaceia,
me tira do chão,
põe em terra
e...
surpreende,
como gosto,
fico assim, ah!
é vida
Da varanda do 16° andar,
gosto de imaginar que meu olhar
pode desaguar no mar,
e ainda, em outra direção,
atravessar serras, morros, montanhas,
alcançar onde não posso estar.
Carrego pedras como lastro,
memórias não me deixam flutuar,
sim, me põem sem chão.
Num longe perto,
a lua, redonda lua,
inunda o quarto
do meu desassossego.