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Estava deixando a vida passar,
indo pra onde ela quisesse me levar,
cuidei, vou pra onde eu quero ir.
Noite alta,
passos imaginados
caminham pela cidade,
em ausência,
a vida escapa.
Luzes intermitentes,
baldes de água lavam
um piso na madrugada,
urubus adormecem
em parapeitos altos,
cedo, vigilantes,
darão fim aos mortos.
Sem cuidado,
um brinco por esquecimento,
mãos nuas como eu me sinto,
descalça, visto caminhos
desejados e quereres.
Dentro, tem inquietação
e nada mais.
No raso, me derrubo,
escorre uma ansiedade
que não me cabe,
não, os olhos não comportam
a alegria de dentes,
represam.
Não se constroem pontes
em abismos.Verdades e mentiras.Tristes como
pérolas em fios,
vida que não se guarda.